domingo, 23 de junho de 2013

RESENHA DO LIVRO PEDAGOGIA DO OPRIMIDO

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 38.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004
A Pedagogia de uma perspectiva do Oprimido
 Paulo Reglus Neves Freire (1922-1997) ou somente Paulo Freire, como é popularmente conhecido, se inscreve entre aqueles educadores empenhados na luta em defesa de uma educação humanizadora. Figura emblemática no cenário educacional brasileiro, Paulo Freire transmite à posterioridade uma produção intelectual relevante, cuja obraPedagogia do Oprimido, composta de 184 páginas, publicada pela primeira vez em 1967 e atualmente em sua 38ª edição, é uma mostra disso.
No livro em questão, Paulo Freire tece uma interessante discussão sobre a pedagogia de uma perspectiva do oprimido. Ressalta que a luta pela libertação do homem, o qual é, semelhantemente à realidade histórica, um ser inconcluso, se dá num processo de crença e reconhecimento do oprimido em relação a si mesmo, enquanto homem de vocação para “ser mais”. Preconiza um trabalho educativo que respeite o diálogo e a união indissociável entre ação e reflexão, isto é, que privilegie a práxis. Um trabalho que não se funde no ativismo (ação sem reflexão) ou na sloganização (reflexão sem ação) e que não se funde numa concepção de homem como “ser vazio”.
Em correspondência a essa concepção de homem como “ser vazio” e, por isso, dependente de “depósitos” de conhecimento, está, segundo Paulo Freire, a pedagogia de perspectiva opressora, denominada de “educação bancária”. Pautada numa comunicação verticalizada, contrária ao diálogo, serve como instrumento de desumanização e domestificação do oprimido, o qual na sua relação com o opressor hospeda-o em sua consciência. Ao se referir à teoria antidialógica, o autor ressalta que a referida teoria tanto traz a marca da opressão, da invasão cultural camuflada, da falsa “ad-miração” do mundo, como lança mão de mitos para manter o status quo e manter a desunião dos oprimidos, os quais divididos ficam enfraquecidos e tornam-se facilmente dirigidos e manipulados.
É em contraposição a pedagogia opressora que Paulo Freire reforça a imprescindibilidade de uma educação realmente dialógica, problematizadora e marcadamente reflexiva, combinações indispensáveis para o desvelamento da realidade e sua apreensão consciente pelo educando. Ademais, “[...] a educação problematizadora coloca, desde logo, a existência da superação da contradição educador-educandos. Sem esta, não é possível a relação dialógica [...] (FREIRE, 2004, p.68)”, não é possível a colaboração entre educador e educando, não é possível conceber um educador-educando, que se educa no diálogo com o outro, e um educando-educador.
Traz à cena a questão do “ato de dissertar” realizado pelo educador, que constitui, e isto tanto dentro como fora da escola e em qualquer nível de ensino, uma prática de dominação, pois se disserta sobre a realidade como se fosse algo estático e sem vida.
É por meio da dissertação, explica Paulo Freire, que o “educador bancário” tenta “depositar”, “encher”, o educando com conteúdos, os quais, comumente, não se relacionam com sua vida, minimizando, e até mesmo anulando, seu potencial criativo, criticidade e pensar autêntico. Ao memorizar o conteúdo narrado, ao “arquivar” os “depósitos”, o educando não está se conhecendo e conhecendo o mundo de modo verdadeiro, não está desenvolvendo sua consciência crítica, daí Freire (2004, p.72) destaca que a educação bancária “[...] servindo à dominação, inibe a criatividade e, ainda, que não podendo matar a intencionalidade da consciência como um desprender-se ao mundo, a ‘domestica’”.
Em oposição à educação bancária, o educador-educando se compromete com um conteúdo programático que não caracteriza doação ou imposição, “[...] um conjunto de informes a ser depositado nos educandos -, mas a devolução organizada, sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou de forma desestruturada” (FREIRE, 2004. p. 83-84). Compromete-se com uma programação, com conteúdos, que advêm das colocações do povo, de sua existência, desafiando-o à busca de respostas, tanto em nível de reflexão como de ação. Em outras palavras, uma prática libertadora, requer que o “[...] acercamento às massas populares se faça, não para levar-lhes uma mensagem ‘salvadora’, em forma de conteúdo a ser depositado, mas, para em diálogo com elas, conhecer, não só a objetividade em que estão, mas a consciência que tenham dessa objetividade; [...] de si mesmos e do mundo” (FREIRE, 2004, p.86). Desse modo, busca-se juntos, educador e povo, mediatizados pela realidade, o conteúdo a ser estudado.
Acerca do operacionalizar a pedagogia de uma perspectiva do oprimido, é preciso, segundo Paulo Freire, investigar o universo temático do povo. Busca-se, inicialmente, conhecer a área em que se vai trabalhar e se aproximar de seus indivíduos, marcando reunião e presença ativa para coletar dados, de modo a levantar os temas geradores. Estes devem ser organizados em círculos concêntricos, partindo de uma abordagem mais geral até a mais particular. Tal operacionalização demanda, ainda, e isso cabe ao educador dialógico, devolver em forma de problema o universo temático recebido do povo na investigação.
Efetivada essa etapa e com os dados em mãos, realiza-se um estudo interdisciplinar sobre os “achados” nos círculos de cultura, a partir dos quais os envolvidos apreendem o conjunto de contradições que permeiam os temas. Cada envolvido na investigação temática apresenta um projeto de um dado tema, o qual passa por discussão e acolhe sugestões. Os projetos servem, posteriormente, de subsídio à formação dos educadores-educando que trabalharão nos círculos de cultura.
Após elaboração do programa, são confeccionados materiais didáticos em forma de, por exemplo, textos, filmes, fotos, entre outros. São preparadas, também, as codificações de situações existenciais, as quais têm que ser decodificadas pelo educando e promover o surgimento de uma nova percepção da questão tratada, como também o desenvolvimento de um novo conhecimento.
Em retrospecto ao exposto, convém sublinhar que se trata de uma obra que denuncia os limites de uma educação de ajustamento, ao mesmo tempo em que anuncia a possibilidade de uma educação humanizadora, “libertadora”, como diria o autor. Daí a atualidade e relevância de sua leitura pelos educadores das várias áreas do conhecimento, tanto os que estão em processo de formação acadêmica como aqueles que já atuam e, também, demais interessados pelas discussões do campo educacional.
Autor: Benício Passos

PASSO A PASSO COMO FAZER UMA RESENHA CRITICA


1. RESENHA CRÍTICA
1.1. CONCEITO E FINALIDADE
Resenha crítica é uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos: é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, no resumo, na crítica e na formulação de um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista.
A resenha, em geral, é elaborada por um cientista que, além do conhecimento sobre o assunto, tem capacidade de juízo crítico. Também pode ser realizada por estudantes; nesse caso, como um exercício de compreensão e crítica.
A finalidade de uma resenha é informar o leitor, de maneira objetiva e cortês, sobre o assunto tratado no livro, evidenciando a contribuição do autor: novas abordagens, novos conhecimentos, novas teorias. A resenha visa, portanto, a apresentar uma síntese das idéias fundamentais da obra.
O resenhista deve resumir o assunto e apontar as falhas e os erros de informação encontrados, sem entrar em muitos pormenores e, ao mesmo tempo, tecer elogios aos méritos da obra, desde que os sinceros e ponderados.
Entretanto, mesmo que o resenhista tenha competência na matéria, isso não lhe dá o direito de fazer juízo de valor ou deturpar o pensamento do autor.
O resenhista não deve “tentar dizer que poderia ter produzido obra melhor, não deve procurar ressaltar suas próprias qualidades às custas de quem escreveu o livro comentado; e não há lugar, numa resenha científica, para perguntas retóricas ou para sarcasmos” (Barrass, 1979: 139).
1.2. REQUISITOS BÁSICOS
Para a elaboração de uma resenha crítica são necessários alguns requisitos básicos; Salvador (1979:139) aponta:
“(a) conhecimento completo da obra;
b) competência na matéria;
c) capacidade de juízo de valor;
d) independência de juízo;
e) correção e urbanidade;
f) fidelidade ao pensamento do autor”.
1.3. IMPORTÂNCIA DA RESENHA
Ante a explosão da literatura técnica e científica e a exigüidade de tempo do trabalho intelectual, sem condições de ler tudo o que aparece sobre o campo de seu interesse, o recurso é voltar-se para a resenha. A resenha crítica foi uma das formas encontradas para solucionar esse problema que afligia os cientistas de modo geral.
No campo da comunicação técnica e científica, a resenha é de grande utilidade porque facilita o trabalho do profissional ao trazer um breve comentário sobre a obra e uma avaliação da mesma. A informação dada ajuda na decisão da leitura ou não do livro.
A resenha, segundo Barrass (1979:139), deve responder a uma série de questões. Entre elas figuram:
a)   assunto, características, abordagens;
b)   conhecimentos anteriores, direcionamento;
c)   acessível, interessante, agradável;
d)   útil, comparável;
e)   disposição correta, ilustrações adequadas.
1.4. ESTRUTURA DA RESENHA
Mesmo não fazendo parte dos trabalhos científicos de primeiro nível, a resenha crítica apresenta a estrutura descrita abaixo.
1. Referência Bibliográfica
Autor (es)
Título (subtítulo)
Imprensa (local da edição, editora, data)
Número de páginas
Ilustrações (tabelas, gráficos, fotos, etc.)
2. Credenciais do Autor
Informações gerais sobre o autor
Autoridade no campo científico
Quem fez o estudo?
Quando? Por quê? Onde?
3. Conhecimento
Resumo detalhado das idéias principais
De que trata a obra? O que diz?
Possui alguma característica especial?
Como foi abordado o assunto?
Exige conhecimentos prévios para entende-lo?
4. Conclusão do Autor
O autor faz conclusões? (ou não?)
Onde foram colocadas? (final do livro ou dos capítulos?)
Quais foram?
5. Quadro de Referências do Autor
Modelo teórico
Que teoria serviu de embasamento?
Qual o método utilizado?
6. Apreciação
a) Julgamento da obra:
Como se situa o autor em relação:
- às escolas ou correntes científicas, filosóficas, culturais?
-às circunstâncias culturais, sociais, econômicas, históricas etc.?
b) Mérito da obra:
Qual a contribuição dada?
Idéias verdadeiras, originais, criativas?
Conhecimentos novos, amplos, abordagem diferente?
c) Estilo:
Conciso, objetivo, simples?
Claro, preciso, coerente?
Linguagem correta?
Ou o contrário?
d) Forma:
Lógica, sistematizada?
Há originalidade e equilíbrio na disposição das partes?
e) Indicação da Obra:
A quem é dirigida: grande público, especialistas, estudantes?
1.5. MODELO DE RESENHA
Seguindo a estrutura que se espera de uma resenha crítica, o Prof. Antonio Rubbo Muller, diretor da Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, instituição complementar da Universidade de São Paulo, criou um modelo simplificado que apresenta todas as partes necessárias para a perfeita compreensão do texto resenhado. Divide-se em nove itens, assim relacionados:
I) OBRA
a)   Autoria (autor ou autores)
b)   Título (incluindo subtítulo, se houver)
c)   Comunidade onde foi publicada
d)   Firma publicadora
e)   Ano de publicação
f)     Edição (a partir da segunda)
g)   Número de páginas ou de volumes
h)   Ilustrações (tabelas, gráficos, desenhos etc.)
i)     Formato (em cm)
j)     Preço
II) CREDENCIAIS DA AUTORIA
a)   nacionalidade
b)   formação universitária ou especializada
c)   títulos
d)   cargos ou exercícios
e)   outras obras
III) CONCLUSÕES DA AUTORIA
a)   quer separadas no final da obra, quer apresentadas no final dos capítulos, devem ser sintetizadas as principais conclusões a que o autor da obra resenhada chegou em seu trabalho
b)   caso não se apresentem separadas do corpo da obra, o resenhista, analisando o trabalho, devem indicar os principais resultados obtidos pelo autor.
IV) DIGESTO
a)   resumo das principais idéias expressa pelo autor
b)   descrição sintetizada do conteúdo dos capítulos ou partes em que se divide a obra
V) METODOLOGIA DA AUTORIA
a)    método de abordagem (indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo, dialético)
b)    método de procedimento (histórico, comparativo, monográfico, estatístico, tipológico, funcionalista, estruturalista, etnográfico etc.)
c)    modalidade empregada (geral, específica, intensiva, extensiva, técnica, não técnica, descritiva, analítica etc.)
d)    técnicas utilizadas (observação, entrevista, formulários, questionários, escolas de atitudes e de opinião etc.)
VI) QUADRO DE REFERÊNCIA DA AUTORIA
a)    corrente de pensamento em que filia (evolucionismo, materialismo histórico, historicismo, funcionalismo etc.)
b)    modelo teórico (teoria da ação social, teoria sistêmica, teoria da dinâmica cultural etc.)
VII) QUADRO DE REFERÊNCIA DO RESENHISTA
O resenhista pode aceitar e utilizar, na análise da obra, o quadro de referência empregado pelo autor ou, ao contrário, pela sua formação científica, possuir outro. É necessária a explicitação do quadro de referência do resenhista, pois o mesmo terá influência decisiva tanto na seleção dos tópicos e partes que considera mais importantes para a análise quanto na elaboração da crítica que se segue.
VIII) CRÍTICA DO RESENHISTA
a)   julgamento da obra do ponto de vista metodológico:
  • coerência entre a posição central e a explicação, discussão e demonstração
  • adequado emprego de métodos e técnicas específicas
b)   mérito da obra:
  • originalidade
  • contribuição para o desenvolvimento da ciência, quer por apresentar novas idéias e/ou resultados, quer por utilizar abordagem diferente
c)   estilo empregado
IX) INDICAÇÕES DO RESENHISTA
a)   a quem é dirigida (especialistas, estudantes, leitores em geral)
b)   fornece subsídios para o estudo de que disciplina(s)?
c)   pode ser adotado em que tipo de curso?
1.6. EXEMPLO DE RESENHA
I) OBRA
PEREIRA, João Baptista Borges. Cor, profissão e mobilidade: o negro e o rádio de São Paulo, São Paulo: Pioneira, EDUSP, 1967.285.p.il. 21 cm x 13,6 cm. Cr$ 1.585,00.
II) CREDENCIAIS DA AUTORIA
João Baptista Borges Pereira é brasileiro. Graduou-se em Ciências Sociais pela USP. Obteve o grau de mestre na Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo; doutorou-se pela Faculdade de Ciências e Letras da Universidade de São Paulo; é livre-docente pela mesma faculdade.
Exerceu o magistério em todos os níveis de ensino, tendo sido diretor em ginásios no interior do Estado de São Paulo. Durante quatro anos foi responsável pela cadeira de Antropologia e Etnografia Geral da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Presidente Prudente e, posteriormente, foi assistente da cadeira de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, sendo atualmente titular de Antropologia e chefe do Departamento de Ciências Sociais.
Publicou as seguintes obras: Italianos no Mundo Rural Paulista e A Escola Secundária numa Sociedade em Mudança.
III) CONCLUSÕES DA AUTORIA
O meio radiofônico representa uma área de excepcional aproveitamento profissional do negro e do mulato, embora existam algumas resistências, manifestas ou não, à ampliação das atividades desses elementos humanos nesse meio e no campo ocupacional adjacente. Esse aproveitamento é excepcional sobretudo no que se refere às possibilidades de acesso do homem de cor a inéditas e variadas oportunidades existentes em nossa sociedade para os que se dedicam à profissão de radialista.
No todo da sociedade brasileira, o negro enfrenta dois estágios de barreiras à sua ascensão: o primeiro representado por fatores sociais e educacionais, resultantes do fato de pertencer o negro, geralmente, às camadas sociais mais baixas da população; o segundo estágio, que se refere ao problema racial propriamente dito, atinge apenas aqueles indivíduos que obtiveram condições profissionais de competir em áreas mais destacadas da atividade profissional, e que são uma minoria.
O primeiro passo na marcha-ascensional da carreira do radialista negro refere-se ao fator econômico. Ao obter uma remuneração melhor, ele procura adquirir bens de consumo e símbolos de “status”, tais como: uma moradia melhor do que a que possuía anteriormente, eletrodomésticos, roupas, etc.  Num segundo momento vem a preocupação com a instrução dos filhos, pois ele acredita que o problema do negro na sociedade brasileira seja, sobretudo, um problema de falta de instrução. Vem a seguir o lazer, em especial as viagens de férias. A poupança não foi detectada como um fator marcante nas aspirações e práticas do grupo estudado.
Estas conquistas são resultados que o homem de cor obteria com outras profissões, caso lhe fosse possível alcançar nelas o nível de rendimento econômico.
Como resultados diretos de sua atividade de radialista, o negro obtém popularidade e destaque, bem como a possibilidade de viajar, algumas vezes até para o exterior.
Por outro lado, se no plano profissional ele recebe dos colegas um tratamento de igualdade e cordialidade, esse relacionamento não se estende para foram do ambiente profissional.
A profissão de radialista é alvo de estereótipos negativos quanto à moralidade. Desta maneira, o negro radialista é duplamente atingido pelos estereótipos: por ser negro e por ser radialista.
Finalizando, verifica-se que, nos primeiros estágios de sua carreira, o negro radialista vive a euforia dos bens materiais obtidos, e somente num estágio posterior ele descobre que essa ascensão econômica não corresponde a uma equivalente ascensão social.
IV) DIGESTO
Depois da Primeira Grande Guerra Mundial inicia-se no Brasil o processo de industrialização. E ao Brasil rural, cuja sociedade se divide em estamentos, contrapõe-se um Brasil urbano, cuja sociedade é de classes.
Além do crescimento natural, as populações aumentam também em resultados das migrações internas, que começam a existir e, sobretudo, devido à migração estrangeira modificam o panorama étnico brasileiro. Modifica-se a pirâmide social, e as Revoluções de 22, 24 e 30 atestam tal fato. O operariado aumenta em proporção superior à da população, a publicidade começa a entrar em cena como estimuladora do consumo.
Como conseqüência dessas mudanças, a estrutura ocupacional se amplia e diversifica, abrindo novas oportunidades de trabalho remunerado e fazendo surgir novas profissões. Cor, nacionalidade, posição de família, fortuna e grau de escolaridade passam a ser fatores de posicionamento dos indivíduos nos novos grupos sociais.
É dentro desse quadro de efervescência que surge e se desenvolve a radiofusão.
O rádio surgiu no Brasil como uma proposta educacional. Posteriormente, a realidade de seus altos custos obrigaram que se recorresse à publicidade como fonte de receita. Por outro lado, o desenvolvimento industrial fazia necessária a procura de novas mídias, e o rádio oferecia-se como adequado para tal.
Três grupos, externos ao rádio mas a ele ligados, exercem influência sobre seus rumos: os anunciantes, os publicitários e o público. O anunciante pode tentar influir no padrão da emissora, pois é de seu interesse que a emissora obtenha boa audiência. O publicitário atua como intermediário entre a emissora e o anunciante. O público atua de várias maneiras, de acordo com seu grau de interesse e participação. A maioria só influi na programação numericamente, detectada através de pesquisas de audiência. Uma pequena parcela participa através de cartas e telefonemas e outra, ainda menor, comparece aos auditórios. Por fim, existem os calouros e fãs-clubes.
O rádio, como estrutura empresarial, divide-se em três setores: administrativo, técnico e programático, sendo que, nesse último, a hierarquia não segue os padrões formais, inexistindo a correspondência entre cargo e poder. Também é nesse setor que aparecem oportunidades profissionais para aqueles que não têm escolaridade nem formação técnica.
O Censo de 1950 acusava 37,5% da população brasileira como sendo de cor, 11,2% no Estado de São Paulo e 10,2% da população no município de São Paulo. Para os indivíduos de cor, a integração no sistema sócio-econômico é difícil, sendo as posições de maior destaque e melhor remuneração obtidas mais facilmente pelos brancos. Contudo, no setor programático do rádio, em especial como cantor popular, o negro encontra possibilidade de participação e ascensão.
Também a freqüência a programas de calouros é importante. Alguns indivíduos a vêem como possibilidade de entrar para o meio radiofônico como profissionais, embora, na realidade, a porcentagem de aproveitamento desses elementos seja inexpressiva. Outros, mesmo conscientes dessa impossibilidade, apresentam-se como calouros para obter uma compensação da sua realidade cotidiana, que lhe é oferecida pelo contato com pessoas famosas e por uma notoriedade momentânea quando se apresenta no programa e é visto e aplaudido.
Entre as dificuldades que o negro encontra para penetrar no rádio, poucos entrevistados se referem à cor como fator de influência. Atribuem essa dificuldade à falta de instrução, falta de “padrinho” e falta de talento. Tanto entre profissionais como entre os calouros, o tema cor é um tabu, existindo pouca consciência dos problemas raciais. Os negros que obtêm sucesso servem como mitos e incentivos aos que buscam.
A partir da década de 20 surge no meio musical brasileiro uma procura das raízes nacionais em contraposição aos valores europeus. Nesse contexto, a música negra obtém aceitação e destaque. A expansão do rádio colaborou para a difusão da música urbana, permitindo maior destaque para música de origem negra divulgada através do rádio. A revalorização da música e de todo o complexo cultural a ela ligado trouxe consigo a valorização do elemento humano identificado com ela: o negro.
V) METODOLOGIA DA AUTORIA
O autor utiliza o método indutivo, recorrendo aos procedimentos analíticos e interpretativos fornecidos pela Sociologia e Antropologia Cultural. Estruturalismo e funcionalismo foram adotados como um ponto de vista metodológico predominante, tendo recorrido a outras formas de exame dos problemas quando necessário. A modalidade é específica, intensiva, técnica e analítica. Para a coleta de dados foram utilizadas as seguintes técnicas: entrevistas formais e informais, história de vida, observação participante e, como recurso secundário, questionários.
VI) QUADRO DE REFERÊNCIA DA AUTORIA
O autor adota, neste trabalho, a teoria estrutural-funcionalista e se filia à escola sociológica de São Paulo (Octávio Ianni, Florestan Fernandes) da mesma forma que sofre a influência da linha inglesa da Antropologia Social (Radcliff-Brown).
VII) QUADRO DE REFERÊNCIA DO RESENHISTA
O resenhista utiliza como quadro de referência a Sociologia Analítica, especificamente os conceitos desenvolvidos por Pitirim A. Sorokin.
VIII) CRÍTICA DO RESENHISTA
Trata-se de obra de cuidadoso rigor metodológico, que explora e conclui sobre os problemas que se propõe a estudar, sem desvios ou distorções. Utiliza várias técnicas de coleta de dados, obtendo assim maior riqueza de informações.
É uma obre original e valiosa porque aborda um dos tabus da sociedade brasileira: o preconceito racial e a situação do negro.
Apresentados num estilo simples e claro, os resultados e a análise destes permitem, inclusive, extrapolações para outros campos de atividade que não o rádio, logicamente se respeitadas as peculiaridades de cada atividade.
IX) INDICAÇÕES DO RESENHISTA
Esta obra apresenta especial interesse para estudantes e pesquisadores de Sociologia, Antropologia, Etnografia e Comunicação Social. Pode ser utilizada tanto a nível de graduação como de pós-graduação, pois apresenta linguagem simples, sendo também útil como modelo, do ponto de vista metodológico.
Autora: Soraya M. Marques

METODOLOGIA CIENTIFICA..O QUE É FICHAMENTO,RESENNH,RESUMO SINÓPSE ,RESENHA CRÍTICA

O que é fichamento, resenha , resumo, sinopse, resenha critica, dentre outros e exemplo de todos.
Introdução
O trabalho a seguir trata de assuntos acerca de métodos científicos, sendo estudado neles, sinopses, resumos, esquemas, resenhas criticas, resumos críticos e fichamentos.
Expondo dados relevantes no conhecimento, para que se possa fazer bem os descritos acima, apresentando definições e exemplos. Trabalho de metodologia cientifica, ministrado pela professora Maria generosa.
Sinopse
Sinopse, é síntese de uma ciência, ou seja, um resumo, um sumário, algo como um resumo de um livro sem mostrar detalhes, e sem se aprofundar no assunto, só para tirar duvidas momentâneas.
Sinopse de ‘O que é semiótica’
Semiótica é o estudo dos signos, ou seja, as representações das coisas do mundo que estão em nossa mente. A semiótica ajuda a entender como as pessoas interpretam mensagens, interagem como objetos, pensam e se emocionam.
Resumo
Resumo é a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto. Visa fornecer elementos capazes de permitir ao leitor decidir sobre a necessidade de consulta ao texto original e/ou transmitir informações de caráter complementar.
O resumo é uma forma de reunir e apresentar por escrito, de maneira concisa, coerente e freqüentemente seletiva, as informações básicas de um texto pré-existente. É a condensação de um texto, pondo-se em destaque os elementos de maior interesse e importância a sua finalidade é difundir as informações contidas em livros, artigos ou outros documentos e auxiliar o (a) estudante e / ou o profissional nos seus estudos teóricos.
Resumo de ‘ O que é semiótica’
A semiótica provém da raiz grega ‘semeion’, que denota signo. Assim, desta mesma fonte, temos ‘semeiotiké’, ‘a arte dos sinais’. Esta esfera do conhecimento existe há um longo tempo, e revela as formas como o indivíduo dá significado a tudo que o cerca. Ela é, portanto, a ciência que estuda os signos e todas as linguagens e acontecimentos culturais como se fossem fenômenos produtores de significado, neste sentido define a semiose. A ciência chamada Semiótica, ou teoria geral e da produção dos signos, teve sua origem na Rússia, na Europa Ocidental e na América.é a ciência geral dos signos, que estuda todos os fenômenos de significação. Tem por objeto os sistemas de signos das imagens, gestos, vestuários, ritos, etc. A palavra equivalente no mesmo ou em outro idioma. É a representação, na linguagem do significante. Corresponde ao conceito ou à noção, ao passo que o significante corresponde à forma.Todo objeto, forma ou fenômeno que representa algo distinto de si mesmo: a cruz como significado do “cristianismo”; a cor vermelha significando “pare” par o código de trânsito, etc.O significado tem um código afetivo (angústia), relacionado ao fato psíquico no Inconsciente, não sabido, objeto referido. Ferdinad de Saussure, é conhecido como pai da Semiose. Para ele, a mera realidade sígnica justifica a existência de um ramo do conhecimento que estude os signos na sua relação com o contexto social.
EsquemaOs esquemas mais não são do que enunciados de palavras-chave, em torno das quais é possível arrumar grandes quantidades de conhecimentos. Representam uma enorme economia de palavras e oferecem a vantagem de destacar e visualizar o essencial do assunto em análise, podendo ainda ser facilmente reformulados.A sua utilização ajuda-nos a compreender e a recordar os acontecimentos, a estabelecer relações entre eles ou entre diversos factores e a compreender a influência que esses acontecimentos ou factores exercem uns sobre os outros. Há vários tipos de esquemas: lineares, quando organizam a informação na horizontal e na vertical; circulares, se organizam a informação em círculo; piramidais, se a informação se dispõe em forma de pirâmide; e sistemáticos, quando a informação se organiza em forma de quadro, representando as relações de interdependência de um fenómeno.Para fazeres um esquema, deves começar por apreender as ideias-chave do texto e ordená-las, escolhendo para isso o tipo de esquema mais adequado. Usa setas para estabelecer relações entre os conceitos, (considerando que a seta significa causa/efeito e a seta quer dizer inter-relação).
Esquema para uma história em quadrinhos.
  • Pense em alguma história e registre-a no bloco de anotações como se fosse um roteiro.
  • Crie os diálogos entres os personagens da história.
  • Em um papel, desenhe as cenas da história. Desenhe balões e escreva com o lápis dentro deles as falas de cada personagem.
  • Se for necessário, faça esclarecimentos sobre a cena no rodapé da folha.
  • Cole as cópias do seu rosto no espaço reservado.
  • Faça o acabamento com carvão preto e trabalhe os detalhes com nuances de cinza.
Resenha critica
Resenha crítica é uma descrição que faculta o exame e o julgamento de um trabalho(teatro, cinema, obra literária, experiência científica, tarefa manual…). A apreciação necessita ser elaborada de maneira impessoal, sem demonstração satírica ou cômica. Contém posicionamentos de ordem técnica diante do objeto de análise, seguidos de um resumo do conteúdo e possível demonstração de sua importância. Resenha Crítica é a apresentação do conteúdo de uma obra, acompanhada de uma avaliação crítica. Expõe-se claramente e com certos detalhes o conteúdo da obra para posteriormente desenvolver uma apreciação crítica do conteúdo. A resenha crítica consiste na leitura, resumo e comentário crítico de um livro ou texto. Resenha crítica é uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos: é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, resumo, na crítica e na formulação de um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista. A resenha crítica, em geral é elaborada por um cientista que, além do conhecimento sobre o assunto, tem capacidade de juízo crítico. Também pode ser realizada por estudantes; nesse caso, como um exercício de compreensão e crítica. A finalidade de uma resenha é informar o leitor, de maneira objetiva e cortês, sobre o assunto tratado no livro ou artigo, evidenciando a contribuição do autor: novas abordagens, novos conhecimentos, novas teorias. A resenha visa, portanto, a apresentar uma síntese das idéias fundamentais da obra. Resenha crítica é uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos: é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, resumo, na crítica e na formulação de um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista. A resenha crítica, em geral é elaborada por um cientista que, além do conhecimento sobre o assunto, tem capacidade de juízo crítico. Também pode ser realizada por estudantes; nesse caso, como um exercício de compreensão e crítica. A finalidade de uma resenha é informar o leitor, de maneira objetiva e cortês, sobre o assunto tratado no livro ou artigo, evidenciando a contribuição do autor: novas abordagens, novos conhecimentos, novas teorias. A resenha visa, portanto, a apresentar uma síntese das idéias fundamentais da obra.
Nausicaä do Vale do Vento Volume 3 (Kaze No Tani No Nausicaä Volume 3), Hayao Miyazaki. São Paulo: Conrad Editora, 2007, 152 páginas. Tradução de Dirce Miyamura.
As aventuras da princesa Nausicaä, dão na Terra de muitos milhares de anos no futuro. Há toda uma fauna diversa da atual, e que, conforme este terceiro volume parece sugerir, teria sido engendrada em uma Idade do Ouro (tema recorrente em Miyazaki) oculta nas brumas do passado. A criação mais terrível dessa biotecnologia é o “soldado divino”, um gigante que manipula energias poderosas, muito acima da tecnologia bélica dos vários grupos em conflito numa espécie de guerra mundial que envolveu o tranqüilo vale de Nausicaä. Descoberto acidentalmente por uma dessas forças, um soldado divino sobrevivente ameaça ser ressuscitado para a guerra. Uma simples pedra o aciona – o objeto mágico atrás do qual está a princesa Kushana, filha do maquiavélico Imperador de Torumekia, com a ajuda relutante do general Kurotawa. Nausicaä é prisioneira de Kushana, com quem viaja num veículo aéreo. Aos poucos ela vai conquistando a admiração das tropas da princesa guerreira, por sua coragem e pelo carinho com os feridos. Nausicaä é um arquétipo feminino em busca de um equilíbrio positivo – por várias vezes ela dá a vida, recolhendo um par de bebês abandonados, sendo até mesmo chamada de “mãe” por um soldado ferido. Negocia sua vassalagem a Kushana em troca da libertação de civis doroks, uma sociedade teocrática comandada por uma sombria figura papal de poderes sobrenaturais, que parece existir parte como ser vivo, parte como um fantasma. O líder dorok sabe que Nausicaä, a mítica protagonista de uma lenda messiânica – em que é identificada como “o ser que se veste de azul da cor do sangue dos ohmus” -, é a sua grande inimiga, e se esforça por capturá-la. Mesmo durante o feroz combate final, Nausicaä tenta salvar vidas – a vida de animais, inclusive -, usando de estratagemas e demonstrando, sempre, sua coragem e desapego por sua própria vida. Quem dá a vida também é quem a tira, como afirma o arquétipo, mas neste terceiro volume a heroína se inclina cada vez mais para uma única face mítica, maternal e redentora, sempre em sintonia com a vida, mesmo naquilo que aos nossos olhos parece um mundo irremediavelmente degradado. Até a cínica Kushana parece curvar-se diante do seu carisma. Poucas ações paralelas, envolvendo a dupla de heróis Asbel e Yupa, são desenvolvidas neste volume – embora por meio de Yupa e Asbel sejamos apresentados a mais uma cultura do romance planetário de Miyazaki, os seres da floresta: humanos que conseguiram construir uma existência em harmonia com as florestas venenosas da Terra moribunda. Parecem ser a versão de Miyazaki para os beduínos Fremen de Duna. O centro da ação, porém, está na ação militar vertiginosa. Ficamos sabendo que os doroks descobriram como usar as florestas venenosas como arma biológica, mas há grandes movimentos de tropas, bombardeios da artilharia, operações defensivas e cargas de cavalaria até o final do volume. O ethos guerreiro é evocado com freqüência, e pode-se perceber a experiência japonesa da vida coletiva sob o fervor militarista do Japão Imperial da II Grande Guerra. Na narrativa sofisticada de Miyazaki, Nausicaä às vezes se recolhe para o pano de fundo, para então retornar ao foco intenso, nos momentos finais.
Em leitura a , Nausicaä do Vale do Vento posso concluir que ele nada deve às obras-primas dos quadrinhos mundiais, os fato imprevistos protagonizados da heroína possuem uma face fabulosa que comove o leitor e enriquecem a aventura com uma dimensão emocional ímpar.Nausicaä do Vale do Vento pode ser considerado como uma obra de quadrinhos com uma predominadora literária na narrativa.
Resumo critico
O resumo crítico é uma redação técnica que avalia de forma sintética a importância de uma obra científica ou literária. Quando um resumo crítico é escrito para ser publicado em revistas especializadas, é chamado de Resenha. Consiste num misto de trabalho de síntese com trabalho de crítica, seguindo as orientações próprias de cada um. O que difere o resumo do resumo-crítico é sua estrutura, que apresenta a crítica como quarta etapa,introdução, desenvolvimento, conclusão e Crítica (opinião sobre o objeto de resumo, a importância do tema, ou a relação do tema com outras áreas, etc.).
Resumo critico sobre ‘Semiótica da paixão’
Análise semiótica da paixão do poder no Antigo TestamentoPalestrante: Profa. Dra. Mariza Bianconcini Teixeira Mendes (Grupo CASA/GESCom)Todo discurso, ao construir os simulacros da realidade, contém alguma dose de paixão no seu fazer enunciativo, havendo porém uma diferença gradual entre maior ou menor envolvimento emocional nas relações entre enunciador e enunciatário. Para D. Bertrand, em Caminhos da semiótica literária(Bauru, EDUSC, 2003), a enunciação nitidamente passional tem como característica essencial “a projeção e a operacionalização dos simulacros”, fenômeno que se explica por um desdobramento imaginário do discurso, “em que o sujeito da enunciação passional transforma as qualidades ou os valores investidos no objeto focalizado em objetos ou em parceiros do seu próprio discurso”. Os discursos assim construídos são aqueles que põem em jogo determinadas paixões dos actantes da comunicação. Podemos definir essas paixões como aquelas sustentadas pelo desejo de sucesso e prestígio por meio de um poder competitivo, que se baseia fundamentalmente no dinheiro, no conhecimento, na beleza ou na força do corpo. Entre esses discursos passionais, distinguimos aqueles em que a persuasão do enunciatário se faz pelo envolvimento emocional da propaganda, seja ela ideológica, política, comercial ou religiosa. Como identificar a operacionalização discursiva dessas paixões, nos discursos com ao quais convivemos? No caso do mito religioso, tomando como objeto de análise o Antigo Testamento, podemos dizer que os enunciadores incorporam as qualidades e os valores divinos, apropriando-se do poder da divindade que encomendara o discurso, como destinador, e era também o objeto focalizado. Nesse desdobramento imaginário do poder divino, cria-se o simulacro fundamental. E a paixão do poder, transformada em objeto do discurso, torna-se “o parceiro-sujeito do sujeito apaixonado”, influenciando o fazer cognitivo de enunciadores e enunciatários na construção semântica e sintáxica do discurso.
Fichamento
O fichamento constitui um valioso recurso de estudo, de que lançam mão
pesquisadores, para a realização de uma obra didática, científica ou de outra
natureza. É um recurso de memória, imprescindível, sobretudo na elaboração de projetos de monografias. É usado, também, em seminários e em aulas
expositivas. A prática contínua do fichamento contribui para que o estudante aprimore pontos de vista e julgamentos, percebendo que um pequeno trabalho inicial reverte-se em ganho de tempo futuro, quando for preciso escrever sobre determinado assunto. Um fichário de temas específicos possibilita, não só a prática de uma redação eficaz, como também proporciona ao autor enriquecimento cultural. Não é recomendado, porém, o armazenamento de assuntos pelos quais não há nenhum interesse.
Os tipos de fichamento podem ser os seguintes: de citação, de resumo, de
esboço, de indicação bibliográfica entre outros. O mais utilizado nas avaliações na Universidade é o fichamento de citação, que obedece a cinco normas: a) toda citação deve vir entre aspas; b) após a citação, deve constar o número da página de onde foi extraída a citação; c) a transcrição tem de ser textual; d) a supressão de uma ou mais palavras deve ser indicada, utilizando-se, no local da omissão, três pontos, precedidos e seguidos por espaços, no início ou no final do texto e, entre parênteses, no meio; e) a supressão de um ou mais parágrafos deve ser assinalada, utilizando-se uma linha completada por pontos.
Períodos LiteráriosA ordenação de fenômenos literários no tempo denominamos período literário, escola ou movimento literário. Cada período é determinado por critérios estéticos e critérios de tempo. Critérios estéticos entende-se por conjunto de normas que dominam a literatura num dado momento. Estilo é um fato histórico determinado pela ideologia de um dado momento e suas manifestações culturais. Existem obras que preponderam sobre outras e passam para a história, assim como existem obras que convivem em mais de um estilo. Levando-se em consideração, critérios estéticos, estilo, critérios de tempo e fatos históricos a literatura está ordenada por períodos literários.
Arcadismo segundo o site www.nilc.icmc.usp.br é conhecido como Arcadismo, uma influência que inspirava-se na lendária região da Grécia antiga, já chegava à Itália . NoBrasil e em Portugal, a experiência neoclássica na literatura se deu em torno dos modelos do Arcadismo italiano, com a fundação de academias Arcadismos, simulação pastoral, ambiente campestre, etc. Esses ideais de vida simples e natural vêm ao encontro dos anseios de um novo público consumidor em formação, a burguesia, que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes. A primeira obra doarcadismo foi feita em 1768, denominada Obras Poéticas, de Cláudio M. da Costa.o Site cita ainda que a ausência de subjetividade, o racionalismo, o soneto (forma poética), simplicidade, pseudônimos e bucolismo (natureza) e o neoclassicismo são umas das características do Arcadismo, disposta a fazer valer a simplicidade perdida no Barroco. Entre outros: A ausência de subjetividade, o racionalismo, o soneto (forma poética), simplicidade, pseudônimos e bucolismo (natureza) e o neoclassicismo são umas das características do Arcadismo, disposta a fazer valer a simplicidade perdida no Barroco.
Barroco
O barroco brasileiro foi diretamente influenciado pelo barroco português, porém, com o tempo, foi assumindo características próprias. A grande produção artística barroca no Brasil ocorreu nas cidade auríferas de Minas Gerais, no chamado século do ouro (século XVIII). Estas cidades eram ricas e possuíam um intensa vida cultura e artística em pleno desenvolvimento. O principal representante do barroco mineiro foi o escultor e arquiteto Antônio Francisco de Lisboa também conhecido como Aleijadinho. Sua obras, de forte caráter religioso, eram feitas em madeira e pedra-sabão, os principais materiais usados pelos artistas barrocos do Brasil. Podemos citar algumas obras de Aleijadinho : Os Doze Profetas e Os Passos da Paixão, na Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo (MG). Outros artistas importantes do barroco brasileiro foram: o pintor mineiro Manuel da Costa Ataíde e o escultor carioca Mestre Valentim. No estado da Bahia, o barroco destacou-se na decoração das igrejas em Salvador como, por exemplo, de São Francisco de Assis e a da Ordem Terceira de São Francisco. Embora tenha o Barrocoassumido diversas características ao longo de sua história, seu surgimento está intimamente ligado à Contra-Reforma. A arte barroca procura comover intensamente o espectador. Nesse sentido, a Igreja converte-se numa espécie de espaço cênico, num teatro sacrum onde são encenados os dramas.O Barroco é o estilo da Reforma católicatambém denominada de Contra-Reforma. Arquitetura, escultura, pintura, todas as belas artes, serviam de expressão ao Barroco nos territórios onde ele floresceu: a Espanha, a Itália, Portugal, os países católicos do centro da Europa e a América Latina.
O catolicismo barroco também impregnou a literatura, e uma das suas manifestações mais importantes e impressionantes foram os “autos sacramentais”, peças teatrais de argumento teológico, reflexo do espírito espanhol do século XVII, e que eram muito apreciados pelo grande público, o que denota o elevado grau de instrução religiosa do povo.
Modernismo
O modernismo surgiu em Portugal por volta de 1915, com a publicação das revistas Orfeu (1915), Centauro (1916) e Portugal Futurista (1919). A primeira atitude dos novos escritores foi de esquecer o passado, desprezar o sentimentalismo falso dos românticos e adotar uma participação ativa e dentro primar pela originalidade de idéias e, na poesia, não deveriam se prender à rima e à métrica. O movimento modernista passou por três fases distintas:

1º fase (1922-1928)Nesta primeira fase, os autores procuraram destruir e menosprezar a literatura anterior, dando ênfase a um nacionalismo exagerado, ao primitivismo e repudiando todo o nosso passado histórico.

2ª fase (1928-1945)Período de construção, com idéias literárias inovadoras e coerentes. Abrem esta fase construtiva Mário de Andrade, com a obra Macunaíma, e José Américo de Almeida, com A Bagaceira.

3ª faseNesta fase os autores fogem aos excessos e primam pela ordem sobre os caos que foi a geração. A divulgação, no Brasil, das teorias vanguardistas européias é feita, em 1922, pela Semana de Arte Moderna. Com a chamada Geração de 22, instalam-se, na literatura brasileira, a escrita automática, influenciada pelos surrealistas franceses, o verso livre, o lirismo paródico, a prosa experimental e uma exploração criativa do folclore, da tradição oral e da linguagem coloquial. Em seu conjunto, essa é uma fase contraditória, de ruptura com o passado literário, mas, ao mesmo tempo, de tentativa de resgate de tradições tipicamente brasileiras.

Naturalismo
Segundo textos encontrados no site citado acima Em 1857, no mesmo ano em que noBrasil surgia O guarani, de José de Alencar, na França foi publicado Madame Bovary, de Gustave Flaubert, considerado o primeiro romance realista da literatura universal. Em 1867, Émile Zola publica Thérèse Raquin, inaugurando o romance naturalista. Tem início, assim, uma nova vertente no campo das artes, genericamente denominada Realismo, voltada para a análise da realidade social, em nítida oposição à arte romântica, de gosto burguês.O Realismo no Brasil tem como marco a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, em 1881.A passagem do Romantismo para o Realismo acompanha um período de muitas mudanças na história econômica, política e social brasileira. O Brasil da década de 80, quando se instala o novo movimento literário, não é mais o mesmo de 1850, época em que a segunda geração romântica dividia seus versos entre o amor e a morte, e as “moreninhas” circulavam pelos salões.O naturalismo foi cultivado no Brasil por Aluísio Azevedo, Júlio Ribeiro, Adolfo Caminha, Domingos Olímpio, Inglês de Sousa e Manuel de Oliveira Paiva. O caso de Raul Pompéia é muito particular, pois em seu romance O Ateneu tanto apresenta características naturalistas como realistas, e mesmo impressionistas.A narrativa naturalista é marcada pela vigorosa análise social a partir de grupos humanos marginalizados, valorizando-se o coletivo. Interessa notar que a preocupação com o coletivo já está explicitada no próprio título dos principais romances: O Cortiço, Casa de pensão, O Ateneu. É tradicional a tese de que, em O Cortiço, o principal personagem não é João Romão, nem Bertoleza, nem Rita Baiana, mas sim o próprio cortiço.
Parnasianismo
O Parnasianismo foi contemporâneo do Realismo-Naturalismo, estando, portanto, marcado pelos ideais cientificistas e revolucionários do período. Os poetas brasileirostomam como fonte de inspiração os portugueses do século XVIII, destacando, sobretudo, o trabalho de Bocage. Voltam-se, também, para Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga. Cultuam a estética do Arcadismo, a correção da linguagem, propiciadora de originalidade e imortalidade, buscando objetividade e impassibilidade diante do objeto, cultivando a forma para atingir a perfeição. O soneto ressurge juntamente com o verso alexandrino, bem como o trabalho com a chave de ouro e a rima rica. A vida é cantada em toda sua glória, sobressaindo-se a alegria, a sensualidade, o conhecimento do mal. A imaginação é sempre dominada pela realidade objetiva. Os parnasianos consideravam como forma a maneira do poema se apresentar, seus aspectos exteriores. A forma seria assim a técnica de construção do poema. Isso constituía uma simplificação primária do fazer poético e do próprio conceito de forma que passava a ser apenas uma fórmula resumida em alguns itens básicos:
  • Metrificação rigorosa
  • Rimas ricas
  • Preferência pelo soneto
  • Objetividade e impassibilidade
  • Descritivismo
Realismo
A literatura realista e naturalista surge na França com Flaubert (1821-1880) e Zola (1840-1902). Flaubert (1821-1880) é o primeiro escritor a pleitear para a prosa a preocupação científica com o intuito de captar a realidade em toda sua crueldade. Para ele a arte é impessoal e a fantasia deve ser exercida através da observação psicológica, enquanto os fatos humanos e a vida comum são documentados, tendo como fim a objetividade. O romancista fotografa minuciosamente os aspectos fisiológicos, patológicos e anatômicos, filtrando pela sensibilidade o real. O Realismo e o Naturalismo aqui se estabelecem com o aparecimento, em 1881, da obra realista Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e da naturalista O Mulato, de Aluísio Azevedo, influenciados pelo escritor português Eça de Queirós, com as obras O Crime do Padre Amaro (1875) e Primo Basílio (1878). O movimento se estende até o início do século XX, quando Graça Aranha publica Canaã, fazendo surgir uma nova estética: o Pré-Modernismo.
Simbolismo
A publicação de Broquéis e Missal (1893), de João da Cruz e Souza, inaugura este movimento, que se caracteriza por melancolia, gosto dos ritmos fluidos e musicais, incluindo o uso de versos livres; uso de imagens incomuns e ousadas. O cuidado na evocação das cores e de seus múltiplos matizes mostra, também, uma influência do Impressionismo. Alphonsus de Guimaraens (Câmara ardente) é um outro grande nome desse período. O simbolista tardio Guilherme de Almeida (Eu e você) funciona como uma ponte entre essa fase e o pré-modernismo. Uma figura isolada é Augusto dos Anjos (Eu e outras poesias), fascinado pelo vocabulário e os conceitos da ciência e da filosofia, que faz uma poesia de reflexão metafísica e de denúncia da injustiça socialJoão da Cruz e Souza (1861-1898), filho de escravos libertos, luta pelo abolicionismo e contra o preconceito racial. Muda-se de Santa Catarina para o Rio de Janeiro, onde trabalha na Estrada de Ferro Central e colabora no jornal Folha Popular. A sua poesia é marcada pela sublimação do amor e pelo sofrimento vindo do racismo, da pobreza, da doença. Renova a poesia no Brasil com Broquéis e Missal. Em Últimos sonetos trata a morte como a única forma de alcançar a liberação dos sentidos.
Conclusão
Em relação ao trabalho apresentado, é nítida a importância de tal, uma vez que os temas descritos aqui serão utilizados por nós por toda a nossa vida acadêmica, quem dirá ate mesmo após a nossa graduação. A preparação, a redação e a apresentação de trabalhos científicos envolvem um grande número de questões de natureza técnica e estética, dentre as quais, pode-se destacar a disciplina, a criatividade na seleção da bibliografia, a leitura de forma organizada, a ousadia e o rigor na abordagem do assunto, além da obediência a certas normas de redação e apresentação do texto final.
Bibliografia:
MARIA GEAR, ERNESTO LIENDO, LUIS PRIETO, Semiologia Psicanalítica, Imago,RJ-1976.
INTERNET -http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070307143342AAIozp2
INTERNET – http://www.ibsei.com.br/semiolo.htm -Darcilia Simões
INTERNET- http://wiki.bemsimples.com/pages/viewpage.action?pageId=9437189
Por: Lisandro Aguilera, Equipe do Bem Simples. Artista Visual.
INTERNET- http://www.faac.unesp.br/pesquisa/gescom/html_gescom/21090.htm
INTERNET- http://bibliotecavieiraaraujo23s.webnode.com/esquemaS
INTERNET – http://www.sobresites.com/quadrinhos/.htm
INTERNET- http://www.fea.fumec.br/biblioteca/acad_resumo_critico.php
INTERNET- http://www.nilc.icmc.usp.br